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sexta-feira, 7 de maio de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

DIVERTIDO:ELVIS PRESLEY PRATICANDO YOGA E CANTANDO "YOGA IS AS YOGA DOES"


SAMYAMA: VISANDO O KAIVALYA

Hudson Cunha
Para entender o yoga interior: o antaranga e a prática do samyama, necessário se faz reportar, ainda que sucinta e superficialmente, ao que é yoga. Etimologicamente, a palavra yoga vem do sânscrito, de yuj, que significa união, junção e unificar. Mas, Patanjali, no Yogasutra (1), esclarece esta união. Expõe o yoga como o gerenciamento cessador das manifestações da consciência, recolhimento das atividades mentais visando que o Eu interior manifeste em sua "natureza autêntica" (svarupam), sendo a meta do yoga a condição de perfeita integração (unidade) do praticante e o todo, chamada kaivalyam. Numa visão, mais próxima do Shamkhya (2), o yoga objetiva a união do ser humano com o espírito primordial (purusha), alcançando sua libertação espiritual (moksha).
A prática do samyama, coerentemente com o objetivo yóguico, deve ser equilibrada e positiva, sátvica (3), relevante na redução ou contenção do fluxo das ondas mentais, na supressão das instabilidades da consciência e na superação dos riscos da vida interior mal direcionada.
Samyama é um termo sânscrito, significa contenção e/ou ir junto. Foi usado por Patanjali, no Yogasutra, para abranger a prática articulada dos três membros (angas) estritamente ligados entre si e interiores do Yoga, ou seja, dhárana (concentração perfeita num só ponto ou idéia), dhyána (meditação, não no sentido comum no dicionário de reflexão, mas sim no yóguico, de gradual e contínua absorção da mente no objeto) e samádhi (êntase ou hiperconsciência, é um canal, atitude mental mais aprofundada, para alcançar a unidade).
Com samyama se visa essencialmente o controle do processo de liberação e não simplesmente ao pensar em si; mas, contribui para o alcance também do equilíbrio espiritual, psíquico e do físico, com desbloqueios energéticos (o que será aprofundado no estudo da fisiologia sutil), benefícios inerentes à perfeita prática do samyama, portanto, com reflexos positivos na vida interior do praticante e no relacionamento com os demais seres, ou melhor, com todo o universo. E há quem afirme categoricamente estar dotado de poderes extraordinário pela prática do samyama.
O samyama - para o sadhaka (praticante do yoga em busca da unidade) - não é estanque na prática yóguica (sadhana), como preconiza algumas linhas parciais do yoga. Fica cada vez mais claro, no desenvolvimento do yoga, que para alcançar um estado de libertação, é necessário ter uma estatura moral inquestionável e estar em forma física, mental e espiritual. Portanto, o samyama é praticado e visto no contexto das oito partes (angas) do yoga e de suas técnicas complementares, desde yama (restrições morais) e niyama (observâncias morais), passando pelos demais partes (angas) a saber: ásana (posições psicofísicas), pranáyáma (controle da bioenergia), pratyáhára (restrição consciente dos sentidos); com suas práticas complementares, tais como bandhas (contrações conscientes com influências neuroendócrinas e/ou hormonais em seus fluxos energéticos, adota-se principalmente nas práticas de pránáyáma e de ásana), mudrás (gestos reflexológicos, simbólico e magnético realizados com mãos e corpo), pújá (retribuição ética de energia), kriyá (limpeza e purificação das mucosas e órgãos internos), yôganidrá (relaxamento consciente com descontração psicofísica e assimilação de benefícios da prática yóguica), mantra (vocalização de sons e ultra-sons), ... em suas diversas modalidades.
Em cada uma destas partes (angas) e técnicas complementares, pode-se aprofundar interiormente, inclusive com o uso de meios auxiliares externos como ambientes, incensos, japamala, músicas, imagens, estátuas, cores, livros sagrados, ... e yantras.
E, o praticante (sadhaka) a cada momento, diária, ou melhor, permanentemente, se conscientiza que, também, no samyama é necessário dedicar à prática regular (abhyasa), com desapego (vairaghya) e com entusiasmo (bhava), para se alcançar vastos benefícios provenientes do interior e poderes interiores supranormais (siddhis).
Há uma divisão na prática do yoga em dois níveis: a yoga exterior (bahiranga) e o yoga interior (antaranga). Na primeira consta dos ashtánga yoga de Pantajali, em oito partes (angas) as seguintes: yama, niyama, ásana, pránáyáma, pratyáhára. E, na segunda, antaranga: dhárana, dhyána e samádhi. Havendo quem considere que pratyáhára não estaria em nenhuma das duas, mas como intermediária, cujo tema será abordado em matéria específica.
Portanto, neste blog, dado que já há diversas matérias de outros blogs e sites enfatizando as primeiras partes do yoga (bahiranga), sem ignorá-las em aspectos essenciais, desenvolveremos uma reflexão detalhada das diversas temáticas envolvidas para prática yóguica, com ênfase no yoga interior (antaranga).
1 Obra fundamental do yoga, escrita aproximadamente no século II D.C., onde se encontram copilados em aforismos os princípios prático-filosóficos fundamentais do yoga.
2 Sistema filosófico indiano que foi desenvolvido concomitantemente com o Yoga. Ambos, Yoga e Shamkhya, são vistos como disciplinas irmãs, com influências recíprocas.
3 Ou seja,de satva (equilíbrio do aparente instável, harmonia), unifica tamas (inércia, paralisia) e rajas (agitação, movimento).

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O ALICERCE NECESSÁRIO DO YOGA ESTÁ NOS DOIS PRIMEIROS ANGA

 .             Este texto, por motivos relevantes, não segue a ordem natural, pois estaria no capitulo 22, mas, como é importante abordar a questão dos princípios do yoga, logo de início, para que a pessoa que ler estes textos esteja de imediato inteirada do que  é normalmente as referências comportamentais dos yogues e dos seguidores da yoga codificada por Patanjali.
________


         Um dia pedi ao mestre Kim me esclarecesse como ele via a prática do yoga no Brasil. Após ele elogiar algumas escolas que ensinam a parte física com  muita atenção e da capacidade de difusão do yoga por diversos mestres,  professores e instrutores e referir até a uma estatística sobre o número de  escolas de yoga e à vasta bibliografia de autores nacionais e estrangeiros que é possível encontrar hoje nas livrarias e bibliotecas; numa inflexão, ele  mudou para uma visão crítica, de modo enfático, declarou:
         - Há escolas também que abandonaram o ensino do yoga, por uma pregação religiosa ocidental sem conexão real com a verdadeira purificação espiritual proposta pelos yogues. Assim, nota-se, por muitos,  na prática do yoga no Brasil, assim como em diversas regiões do mundo, a ausência da devida precedência com a  preocupação articulada na elevação dos compromissos e pureza espiritual dos praticantes,  contidas nos dois primeiros anga do yoga, os quais  não podem ser desprezados.  
          - Alguns mestres indianos, também deixam de enfatizar estes dois anga iniciais, em  manuais. Pela sua observação, pareceu-me que o Brasil é mais  deficiente na ênfase destes anga. Observei. Recebi, então, a  lição complementar a seguir:
          -  No Brasil mais do que na Índia, a ênfase nos yama e niyama é necessária para o praticante do yoga. Lá, desde o nascimento, principalmente aqueles que convivem no meio mais espiritualizado, há a presença prática dos princípios vivenciais contidos nos yama e niyama.  Já no frenesi ocidental não vemos tal presença, salvo entre alguns poucos fiéis cristãos que adotam, na prática, do dia a dia, os dez mandamentos; estes possuem ensinamentos profundos similares aos yama e niyama. Daí, a necessidade de serem enfatizados, desde o inicio da prática a pureza e o compromisso contidos nos yama e niyama.

         E disse mais:
         - Parece que a maioria não compreendeu o que Patanjali, com acerto, colocou como os dois primeiros anga do yoga:  yama e  niyama.  Até alguns conhecedores e seguidores do yoga de Patanjali vacilam no desenvolvimento interior de purificação do primeiro e segundo anga do yoga, certamente com medo de sofrerem enfrentamentos de seitas que predominam fora do âmbito do yoga. Pré-requisitos necessários para os demais anga.
Mestre  Kim, enfático, acrescentou:
- É necessário que para iniciarmos a prática dedicarmos com atenção aos yama e niyama, ou seja,  aos nossos relacionamentos sadios com os demais seres (vivos ou não) e conosco mesmo, para conscientes destes vínculos iniciarmos o aprofundamento com as demais fases do yoga.    
.          Senti, naquele momento, que ele novamente tivera uma sutil percepção de uma das questões que refletira um dia antes,  pois encontrara diversos autores que desenvolveram os seus livros sem a devida atenção a estes dois primeiros angas.
.          Até um dos mais conceituados mestres do yoga, De Rose, apresentou em dois livros  dele que são considerados manuais[1]  pouca atenção a estes dois primeiros angas. E, na  prática inicial recomendada por De Rose[2], não há destaque para os dois primeiros angas.  Mas, este mestre, perspicaz que é, inteligentemente,  soube dar uma volta por cima e enfatizar os yama e niyama, publicando o Código de Ética do Yoguin, onde ele dedica ao detalhamento das proscrições (yama)  e prescrições (niyama) do yoga, que agora é um anexo do  seu segundo manual.
     
.            Daí alguns dias encontrei o mestre Gurudevha, onde ele distinguiu  Yama de Niyama.
         -  Yama, em sânscrito, freio, direcionamento ou rédea. São entendidos como normas e práticas restritivas, que asseguram o relacionamento saudável com os outros seres, harmonizando o convívio social e atitudes de preservação do universo. Enquanto os niyama são vistos como princípios para questões de foro intimo, do praticante consigo mesmo. A quem diga que  Yama é o nosso autocontrole em relação ao ambiente externo; a moralidade social.
 
         - Niyama refere-se ao nosso ambiente interno;  a  moralidade individual. Mas, não são condutas morais no sentido ocidental, pois se busca nos yama e niyama a enfrentar a raiz, a causa, de perturbações e ações negativas a progressão espiritual.  Enfim, ambos são condutas que devemos assumir na relação com os demais seres e conosco mesmo, com a convicção interna que é o mais correto, que, sem dúvida, terão reflexos nos nossos corpos físicos, mentais e espirituais, por conseqüência, na nossa vivência interna e externa.  Vocês podem aceitar esta divisão somente para fins didáticos, pois  ambos os anga, numa visão aprofunda de raízes e conseqüências, envolvem o praticante tanto no aspecto externo como no interno,  como se  constata com o avanço do estudo e da prática de yama e niyama.    

.                Ceres Moura dera uma aula sobre os yama e niyama, no contexto da via óctupla de Patanjali. Na oportunidade, Ceres Moura alertou para o fato de que muitos praticantes são levados a uma concepção errada do que é cada um dos yama e niyama, e, que Patanjali ainda colocou o beneficio da adoção de cada yama e niyama.
         A partir desta observação, desenvolvi um quadro, onde sucintamente  defini os yama e os niyama, o que não é cada um deles, o que fazer para evitar o que não é, ainda, os benefícios da sua adoção conforme Patanjali. São apresentados nos quadros desta postagem. Para ter acesso com possibilidade de leitura, basta clicar sobre as figuras abaixo. Ampliarão até o tamanho original. 


[1] Refiro aqui ao livro:1) Prontuário de Svásthya Yoga e 2)  Faça yôga antes que você precise (Swásthya Yôga Shástra).
[2] Na  Ády Ashtanga Sádhana, recomenda as oito partes seguintes:”1) mudrá:gestos reflexológicos com as mãos;2) pujá: sintonição com o arquétipo, retribuição de energia; 3) mantra:vocalização de sons e ultra-sons; 4) pránáyáma: expansão da bioenergia através de respiratórios; 5)kriyá: atividade de purificação das mucosas; 6) ásana: técnica corporal; 7) yôganidrá: técnica de descontração, e 8) samyama: concentração, meditação e hiperconsciência.” (in Faça Yôga antes que você  precise (Swásthya Yoga.  10ª  ed.  Nobel, São Paulo, 2004. Página: 79.
 




quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

SHIRSHÁSANA


MAYRÚÁSANA

GARUDÁSANA


EXERCITANDO


7 - O YOGA CRONOLOGICAMENTE

Se eu tinha uma atenção especial para Índia, após conhecer sua história vi que muito teria que aprofundar em seu estudo, principalmente, após Ceres Moura apresentar um resumo da  história cronológica do yoga, onde explicou que não existem registros escritos do yoga no período arcaico e da pré-história indiana, quando a transmissão do yoga ocorria por transmissão oral (shruti[1]), o que inclusive dificulta precisar a data das obras iniciais do yoga e a seqüencia  dos fatos.
Referiu a achados arqueológicos  que apontam a presença do yoga há mais de 8 mil anos, sendo que há referências na história de acontecimentos dos últimos 50 mil anos ali na região indiana e previsão de existência humana há mais 250 mil anos.  Arrematando que, na verdade, como observou Feurstein[2],  o Yoga é um produto acumulado de milhares de anos e  recebeu influências diversas no curso da história.
QUADRO 1. FOTOS DE  ACHADOS ARQUEOLÓGICOS
 Destaque-se , que, Ceres ainda se referiu a Shiva, como criador mitológico do yoga.
- Muitos yogues gostam de aludir, principalmente os da corrente tantrista[3], em sua mitologia,  à origem do yoga, ainda, no período arcaíco ou  pré-védico, quando  Shiva[4]  transmitiu pela primeira vez conhecimentos e segredos yóguicos para Parvati[5], sua esposa,  à beira de um rio e que  um peixe chamado Matsia[6],  às escondidas,  assistia e  aprendia às aulas,  tendo evoluído como praticante, tanto que se transformou em ser humano. Tornando-se o primeiro grande mestre divulgador do yoga, Matsyendra.

                        Deixando claro que se trata de mitologia, cujo sentido figurado mostra o poder da yoga, como transformador do praticante.
                        Quando o mestre Gurukhishna, perguntou-me sobre a origem do yoga, falei sobre este relato mitológico, e, acrescentei:
- Interessante e bem indiana a referência a esta origem do Yoga. Mas, já vi alusão à versão da origem Lemuriana do yoga[7], onde antes da Índia haveria prática similar, dizem, entre eles, os teosóficos, defensores desta origem.
- De fato, em alguns escritos sobre o yoga se referem a essa origem.   Há ainda outra hipótese, baseada em achados arqueológicos, na Sicilia, Itália, calculados como de idade superior há 12.000 anos, na Gruta de Addaura.  Onde foram encontradas figuras com posturas semelhantes às do yoga (cobra e escorpião). E, a posterior digressão que daí, pelos mediterrâneos (dravídicas), o yoga foi levado para o território hoje indiano. Mas, parece-nos menos crível que tal ocorreu, embora não possamos descartar definitivamente tal hipótese.

Qualquer que seja a real origem do yoga, saiba que por seu conteúdo, há nele contribuições relevantes de raízes no território indiano, não só na preservação de seu conhecimento, mas em aprofundamento de determinadas visões.  Destacável, ainda, que muitos indianos e indianas são e foram importantes na divulgação do yoga no Ocidente.
 Não é  por acaso, portanto, que indianos e autores ocidentais consideram a sabedoria yóguica um dos maiores legados indianos à humanidade, cujo valor tudo indica vai ser crescentemente reconhecido no Século XXI, pois quanto mais avança a ciência mais se comprova  o acerto de verdades básicas expostas pelos yogues e yoguinis.

[1] Shruti: vem da raiz shru, ouvir.  Shruti significa “aquilo que é ouvido”.  É a tradição oral (parampará) e ainda o que “aprendido por via direta, por intuição, inspiração e revelação”.
[2] Refere a Georg Feurstein que escreve obras profundas sobre o Yoga, como “A Tradição do Yoga” (The Yoga Tradition”, , “Dicionário.....”
[3] Tantrista, de Tantra, que.....
[4] Shiva, um dos três deuses da tríade indiana dos Deuses, sendo ele chamado o Deus da destruição....
[5] Parvati....
[6] Matsia....
                              
[7] De Rose, op. Cit. Pag. 29. Observa que “ “

6 - O QUE É O YOGA

Ceres Moura, desde a primeira aula de yoga, chamou a atenção de nós,  seus alunos do Curso de Formação de Instrutores, para conceito de yoga.  

Explicou que etimologicamente a palavra Yoga, vem de yuj, do sânscrito, que significa unir, jungir. E que o significado de yoga é a integração, nas dimensões física, mental e espiritual.
Apresentou, ainda, diversas definições de yoga, refletindo sobre cada uma delas. Tendo eu destacado entre elas inclusive as  seguintes: a de Patanjali, “Yoga citta vritti nirodha”, “yoga é a redução dos movimentos da consciência”; a de “O yoga é chamado de unificação das teias das dualidades”  e a de Pedro Kupfer, “Yoga é a arte de viver consciente”.
  Enfatisou que a Yoga, não é praticada não só em ásanas, como muitos dos ocidentais pensam ser restrita o yoga. Embora, os asanas, posições, sejam a parte mais visível do yoga principalmente para os leigos. Explicou que, conforme Patanjali, um sábio sistematizador do conhecimento do yoga, que viveu aproximadamente no século II d.c,  a prática  yoguica é muito mais do que isto, e, segue, no mínimo oito angas ou membros, que vocês conhecerão ao longo do curso de instrutores,.

Curioso, fui ler, sem  compreender, nos Sutra de Patanjali, quais seriam estas anga (membros do yoga), obtive a definição, sem compreendê-los na integridade, mas, que serão aprofundados nestes livros, nas próximas páginas. São eles: Yama (restrições, grande compromisso com o todo, indpendente da situação social, local, momento e circunstancia vivenciada pelo praticante); 2- Niyama - observancias, conjunto de atitudes para consigo mesmo; 3 - ásana, posições físicas, praticadas com o uso da vontade, que se tornam firmes e confortáveis, com a eliminação das tensões e com alcance da identificação com o infinido, contribuindo assim para o cessamento das dualidades; 4- pranayama = controle da bioenergia, pelo alento, com movimentos internos, externos e suspensos, obsevando tempo, local e número, tornando-se sutil, transcendente em relação ao modo ordinário de expirar e inspirar, limpando o véo que oculta a luz do verdadeiro conhecimento e proporpocionando o aprofundamento para a concentração mental. 5 - pratyáhara = máximo domínio da desconexão dos sentidos e da atividade para o afloramento da identidade da consciência com a natureza desta. 6- Dhárana = concentração da mente num só ponto interior ou exterior ou num objeto; 7 = Dhyana = meditação yoguica, fluxo unidericional constante  do conteúdo da consciência, inclusive dos processos  mentais (vrttis) e do conhecimento transcente (jñana), numa relação que se alcança a absorção. 8 = samadhi = hiperconsciência, estado de enstase, em que a undiade é alcançada.   

- Para conhecer o yoga, acrescentou, vocês deve estudá-la histórica, filosófica e espiritualmente, bem como praticá-la 24 horas por dia. Sabendo que a perfeição na sua prática, é vital embasamentos essenciais para vivência e evolução, aplicados com sabedoria;  como jnãna[1]  e swadhyáya[2]. E explicou estes termos.
Naquele dia encontrei o mestre Kim, solicitei sua definição de yoga, tendo ele, após uma longa exposição concluindo:
                   - “Em seu sentido amplo, yoga significa a crescente purificação, que leva a  integração saudável e  positiva do ser humano consigo mesmo, com sua ação e reação, com os outros seres, com a natureza e com  Ishwara[3], como prática e fim”.
                     - Alerto que atente para fato de que o yogue sabe e se dedica a uma prática,  busca unificadamente um fim, a integração, disse em tom grave.

                             Ainda, referiu a uma sutra de Patanjali, falando que a prática de yoga é pureza em crescendo no sentido da origem do universo, pois como observado no Sutra 2.28:
 “Com a prática continuada e espiritual (anusthana) dos membros do yoga(4) (yoga anga), destrói-se as impurezas (asuddhi ksaye) e se desperta o esplendor do conhecimento (jñana diptin) interiorizando (a) o discernimento (khyati) da diferença (viveka) entre o Si Mesmo (Purusha) e a matéria primordial (Prakriti), alcançando o aspecto sádio e puro da mente (satwa)."

Ele disse complementando:
- Estes - purificação e despertar - somente serão entendidos por você no curso dos estudos-prática.  Parece precipitado sua apresentação deste Sutra agora para você, mas é uma síntese do que vem depois, não esqueça dele. Esteja com ele presente, ajudará você saber onde ir. Escreveu-o num papel, e, então, me entregou o escrito. E disse:
- Guarde-o, leia a cada etapa de seu estudo-prática.

Persisti  na interrogação do que significaria aquela integração, falada por ambos mestres, sem que tivesse expressado minha dúvida  o mestre Kan acrescentou:
- Você saberá quando estudar mais a fundo o yoga, principalmente quando dominar a compreensão sobre o processo evolutivo apresentado pelo Samkhya, o qual abrirá caminhos para a vivencia do samádhi, a superconsciência, o ênxtase, mas aguarde. Só com tempo e prática você evoluirá no saber mais sobre o que é o Yoga.


[1] Jñana = conhecimento conceitual, sabedoria intuitiva superior, erudição.
[2] Swádhyáya = auto-estudo e estudos dos livros sagrados.
[3] Iswara = trata-se de um purusha especial, com onisciência, onipotencia e com capacidade de controlar todos os elementos do universo.

5 - QUANDO O DISCÍPULO ESTÁ PREPARADO O MESTRE APARECE

Eis que, em dezembro de 2008,  almoçando num restaurante vegetariano,  dialoguei um pouco muito com aquele que encontrara antes na lanchonte, mais do que isto ouvi muito. Conversamos sobre diversos assuntos. Até que lembrei sobre a frase de “estar preparado”,  que ele me dissera no primeiro encontro.
- A professora Ceres Moura declarara que os indianos acreditam que   “quando o discípulo está preparado o mestre aparece”; mas, o senhor, mestre, somente disse que eu estaria preparado para nossa interlocução.
- Ora, embora eu tenha referido, este princípio estava implícito no nosso encontro e nas interlocuções posteriores que ora ministro. Avalie você meu amigo, pois é fundamental que se transmita conhecimentos yóguicos  mais aprofundados somente para aqueles que estão preparados e qualificados, com envergadura na moral, nas ações e na forma de se voltar para o Supremo, de quem tem potencial para evoluir no yoga.
- Assim não são restringidos aqueles que poderão assumir a senda do yoga, e, chegar à evolução? Pensei. Logo,  recebi a resposta, como se ele tivesse lido na minha mente a dúvida.
- Não há restrição insensata. Pois, a cada pessoa o yogue possui a sua mensagem e atitude. Para todas podemos dirigir algo proveitoso. Porém, é fato de que a existência de segredos não é inatividade. em relação aos demais Queremos a progressão de toda a humanidade, mas nossa expressão para com próximo será de acordo com o  nível de avanço espiritual e material de cada um.
Parecia que ia terminar aí, mas continuou.
- Hoje – enfatizava ele -  vivemos numa época em “homens privados da razão e sujeitos a todo tipo de doença do corpo e da mente, cometem pecados diariamente tudo que é impuro, vicioso e calculado  para afligir a raça humana se manifesta”. Como o Yoga  concede muitos poderes e conhecimentos,  até de atuação sobre mais de um corpo do ser humano,  deve ser ministrado com prudência, para que não venha a ser usado contra a humanidade. Também, o próprio discípulo não preparado para mensagem, pode acabar por se desorientar, podendo até vir a ter reforçadas qualidades contrárias àquelas necessárias ao yogue.
 Embora prevaleça o princípio do segredo, ainda,  nesta era, haverá o inicio de uma superação desta limitação e muito hoje em segredo no Yoga será mais publitizado, pois uma regeneração média se anuncia para populações significativas do planeta terra, conforme previsões de diversos  sábios yogues.
Na história, há exemplos de que após a decadência há uma tendência a avanços; nós que somos otimistas abraçamos esta expectativa em relação ao progresso moral e espiritual em nível jamais alcançado pela humanidade.
E não pense que é recente esta preocupação ainda prevalecente de ensinar aos eleitos a Verdade, já na Bhagavad Gita, livro escrito a mais de 2500 anos, constava que  “Este conhecimento confidencial jamais pode ser explicado àqueles que não são austeros, nem devotados, nem se ocupam no serviço devocional, e tampouco a qualquer que tem inveja de mim.”[1]
Por fim, também a frase referida por você, com texto distinto e conteúdo similar está no Gita: “Se amares a Verdade, virão em teu auxilio os que conhecem a Verdade, favorecendo a sua iniciação”[2] .

[1] Bhagavad Gita 18.67
[2] Bhagavad Gita 04.34.

4 - JÁ NOS DESCONHECEMOS, AGORA VAMOS NOS CONHECER.

Eu possuo um escritório de advocacia, no Setor de Diversões Sul, no Centro de Brasília, e, normalmente, atendo a entidades sindicais e populares, algumas estabelecidas naquele setor da Capital brasileira. Minha advocacia está voltada essencialmente para os segmentos mais humildes, assalariados e/ou  democráticos.
Nestas idas e vindas às entidades, bem como nos meus deslocamentos até o estacionamento, era comum encontrar com um senhor com aparência tranquila,  sem  definição de idade, dotado de postura ereta e elegante combinada com uma simplicidade e simpatia irradiante. A ele, eu dirigia normalmente somente cumprimentos de “Tudo bem?”, com respostas lacônicas recebidas do mesmo.
Após mais de 8 anos que via aquele senhor,  certo dia, quando fazia um lanche após chegar de uma aula prática de yoga feita no outro lado da cidade, onde fica o  Instituto Lakshmi Yoga Vidya,  presidido por Ceres Moura; estava numa cantina, quando o referido senhor aproximou e solicitou um suco de laranja.
E, então, virando para mim, disse uma frase que eu já conhecia semelhantes:
- Apresento-me, sou Gurukrishna, neto de um seguidor de Sivananda.  E, venho notando sua aura, observo que  você está cada dia mais avançado  como sadhaka, tendo tudo para ir mais à frente neste sentido.
Ora, eu nem sabia que aquele senhor era um conhecedor de que eu praticava yoga. Nem da minha preocupação com o parinama do yoga que me tomava  minha atenção naquele momento.   

Quem eu já via há muito tempo, mas nunca tinha  desenvolvido qualquer interlocução. Como ele sabia muito sobre mim?
Ele usou termos que então me  fora explicados por Ceres Moura.  Minhas dúvidas, em parte, seriam esclarecidas depois, quando me certificaria de seus poderes espirituais.
Ele então disse que agora nos encontraríamos menos, e, quando isto ocorrer, será para o caminho e não para simples encontro de desconhecidos. Antes nos desconhecíamos, apesar dos sucessivos encontros, mas a partir de agora,  amiúde,  trocaremos idéias e você terá um avanço espiritual incrível, está escrito em sua perspectiva espiritual.
Estranhei o que ele me dissera, mas, ainda, de certo modo paralisado, querendo ouvir mais, fui surpreendido com a despedida daquele senhor, que passaria mais de três meses sem o vir concretamente, embora em sonhos tivesse as suas presença e orientação durante o período de afastamento.